LONGE DO CEU ................. UMA MULHER VULGAR.
Porque respeito os direitos de autor, informo que todas as fotografias deste blog são da minha autoria


segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

Muros e mais muros...



Vinte anos se passaram que hoje se recordam com pompa e circuntância, que nos fazem pensar em tanta coisa, tantos acontecimentos que de tempos longínquos chegam até nós, contados por homens que, dizem, os viveram, estiveram presentes, assistiram, gritaram de contentes, choraram de alegria, viveram com tristeza que os fez chorar, ideais perdidos, verdades encontradas, coragens demonstradas, cobardias escondidas, relatos reais, relatos fantasiados, desesperos e revoltas, de seguranças que ficaram para trás, mais tragédia a juntar-se a tragédias já existentes, e mais... muito mais.

Não percebo nada, mas mesmo nada de política, e afirmo que só tenho um desejo: o bom entendimento entre todos os povos do mundo, acabar com a ganância que destrói o ser humano... a corrupção que vemos grassar cada vez mais... o cair dos muros que se levantaram e levantam aqui e ali, começando pelos nossos muros interiores que não somos capazes de destruir, porque queremos preservar a nossa intimidade, a nossa vida, a vida dos nossos e que erguemos a todo o custo para que eles tenham uma vida, muitas vezes, como nós não tivemos.

Não serão estes a causa maior que faz aparecer e crescer os outros muros?

Somos seres habituados a viver entre muros... a fechar portas e janelas e só nos sentimos bem quando o melhor que temos é o isolamento em que vivemos, deixando entrar só alguns, aqueles em quem confiamos mais.
Apesar disso temos sempre na nossa frente a desconfiança do outro.

Os muros que se destróiem quantas vezes fazem erguer outros com que não contávamos nem pensávamos ter de erguer!?

E isto não é de agora, nem de há vinte ou quarenta anos, está dentro de cada um de nós como um castigo de algo que desconhecemos...

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Mensagem para a "Patrícia"...

Hoje não é uma mensagem que publico, mas sim um recado a um blogue, (ou somente endereço, não percebo) que vindo ao que considero "minha casa", resolveu seguir-me mas não me deixando entrar no seu lugar.
Normalmente, quando não queremos que toda a gente entre nos nossos lugares, não os temos abertos ao público, mas é de bom "tom" abrirmos a nossa porta aqueles cuja porta se abre para nós, ou por outra está aberta a todos.
Eu não me interessa ver o que cada um tem dentro de suas casas, se não for convidado para isso, mas não utilizo os outros para chamar visitantes, isto é, dando-lhes a conhecer o meu nome e não abrindo aporta aquele de quem me utilizei, sem uma explicação.
Cada um é senhor de deixar entrar quem quer, mas aqueles que entram na minha "casa" uma vez sabem que podem entrar sempre que queiram.
Isto não é importante.
Não é importante que um blogue que se intitula "Patricia" se linka ao meu blogue resolva seguir-me mas não me deixe entrar. O que é importante é o gesto em si.
Se isto é só em relação a mim não sei e não me interessa. E esta é a única maneira que posso utilizar para passar recado a quem não deixa como ser contactado e procede dessa maneira.
Assim "Patricia" ... não volte porque penso que já não pode entrar, até ao momento que me envie uma explicação da sua atitude.
Boa sorte para o seu blogue.

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Gosto de te ver... Lisboa!

Lisboa, dia 24-10-2009

Lisboa e o 20º Festival Internacional de Banda desenhada da Amadora, que tornou a cidade mais vistosa e alegre e terminará no dia 8 deste mês.


Rua Augusta onde Betty Boop nos delicia com o seu ar muito sexy numa montra onde é raínha.
Este ano ela voltou em força.

Tudo, desde malas a pota-chaves, nos mostra uma Betty Boop sem a sofisticação moderna da mulher quase esquelética, inspirada na Barbie, mas muito mais "mulher".

quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

Mundo Azul ... Maria Zélia Nicolodi.

Amor calado no peito
É tesouro escondido...


Tem razão Maria Zélia Nicolodi, e pensar que nem sempre esse amor pode falar e por isso mesmo será sempre um tesouro escondido...

Por vezes uma vida inteira...

A fotografia que me enviaste...


Espero que não te aborreças comigo meu amigo, mas ao receber hoje esta fotografia que me enviaste não resisti à tentação de a publicar.
Maravilha... sempre maravilhosos o mar, o Sol daquelas nossas praias que são tão belas e das quais tenho sempre saudades.
A fotografia é tua, talvez seja um abuso eu ter publicado embora com a tua assinatura, mas espero que compreendas que gosto de mostrar o que há de belo nela.
Há pouco, sem sono que hoje tarda em chegar, ao olhar este teu Pôr de Sol, senti o tempo recuar até à minha adolescência e dei por mim contemplando um Pôr de Sol idêntico vendo à minha frente este mar imenso.

terça-feira, 27 de Outubro de 2009

Uma Máquina de verdade...

Falando de fotografia!...

Quando os afazeres me deixam e estou disposta a isso, gosto de percorrer lugares onde a fotografia me atrai, ver revistas e ler sobre o assunto debruçando-me sobre os comentários feitos aos autores e feitos pelos autores a outros fotógrafos tão bons como eles.

Desde os sites pessoais aos programas de fotografia online, fico por vezes maravilhada com o que vejo sabendo muito bem que, por várias razões, nunca lá chegarei.

Há pouco estive num site onde uma fotografia me prendeu a atenção o fotografo utilizou o IV e nela encontra-se escrito: " was so blind, I could not see,Your paradise, was not for me.
Madonna (Ray of Light)"
Ao fotógrafo a quem pertence peço desculpa de falar nela e de transcrever o que lá está. Para mim todas aquelas fotografias são lindas mas esta acho muito especial.

Muita gente não gosta do IV mas eu gosto. Parece-me que apesar de ser visto a branco e preto dá-nos do mundo uma ideia diferente, mais crua talvez, mas mais sincera, mais despida de tudo que é desnecessário.

A fotografia de que falo mostra-me um mundo onde ainda poderia ser reconstruído o sonho que, cada vez mais, temos a noção que tende a acabar.

E isto hoje veio a propósito dum comentário que um fotógrafo me deixou numa fotografia minha, a quem quero agradecer as palavras amáveis que esse comentário me transmite embora num tom como se de uma crítica se tratasse:

"Tenho seguido o teu trabalho desde há muito tempo, quando é que compras uma máquina de verdade?..."

Posso garantir ao fotografo em questão que tudo o que a minha máquina regista é a verdade, e quando edito uma fotografia é muito raro fazer alterações em fotoshoop, portanto a minha máquina para mim... é muito boa e chega-me bem.

Eu sei porque ele diz isto, e pode crer que não tenho esse comentário como uma crítica mas sim como uma boa apreciação do meu trabalho, e por isso o meu obrigada.

domingo, 25 de Outubro de 2009

Estranho momento...

O filme acabou e uma sensação terrível tomou conta de mim.

Fiquei a ver através dos vidros da janela a chuva que lá fora tudo inundava, os vultos que, abrigados pelos chapéus de chuva, pareciam cogumelos num qualquer festival aquático.
Sem conseguir desviar os olhos da água, que cada vez em maior quantidade corria pela rua que seguia em declive até à praça onde se dividiria pelas ruas que dela partiam, pensava no filme que acabara de ver e que dentro de mim fizera mossa.

Passamos grande parte da nossa vida, convencidos que tudo sabemos dos nossos sentimentos mais íntimos e, de repente, somos abanados nos alicerces que julgávamos seguros e vemos que afinal basta um momento para tudo ruir.
Já não ouvia somente a chuva. A trovoada já estava próxima e o vento rasgava e levava o que tentava resistir-lhe.

Dentro de mim os estragos eram muito maiores.
A consciência daquilo que escondera de mim própria durante anos e anos, querendo convencer-me de que tudo estava bem, que era forte, que seguiria em linha recta o caminho traçado desaparecera, dando lugar a uma torrente de sentimentos impossíveis de ignorar.

E ignorá-los... para quê?

A tempestade estava ali, furiosa, pronta para arrasar tudo à sua volta.

Quando tomei a consciência de tudo o que se passara senti que era outra pessoa... uma pessoa mais sincera comigo mesma.

terça-feira, 20 de Outubro de 2009

Ninguém é de ninguém...

"Já te disse... não vais não.
Já te disse que só irás quando eu for... já te disse que esperas que eu possa ir e vamos os dois..., já te disse que não te quero dois dias sozinha naquele lugar onde, sabes perfeitamente, se alguma coisa acontecer não terás junto de ti quem te ajude, quem esteja ao pé de ti... e..."

Ficara combinado, quinze dias antes, que partiria para férias naquele dia e que ele seguiria oito dias depois, altura em que a Empresa fechava e eu já lá estaria, aproveitando entretanto esses dias para visitar lugares que não lhe interessavam, uma vez que os interesses dele eram diferentes dos meus.
Além disso amigos que há muito não via e que queria rever, tinham combinado umas jantaradas em casa de uns e de outros, para falarmos dos tempos antigos, que queríamos recordar. E ele sabia porque fora combinado com ele, que depois disse que não ia.
Uns ainda familiares, outros amigos de família todos como irmãos que por vezes, quando em tempos passados lá íamos com mais frequência, se aperceberam que não eram muito bem vindos a nossa casa, pela atitude dele que de repente se ausentava, sem sabermos para onde tinha ido e que se sentiam mal, por aquela tentativa de cortar um relacionamento que por mim era desejado.
Sabia que, para o fim das férias, num fim de semana mais ou menos prolongado, chegaria o grupo dele, com quem eu gostava também de estar, e esses ficariam lá em casa dia e noite, para satisfação dele e não nos deixariam um minuto sozinhos. Quantas vezes adiando assunto em que havia urgência de falar, guardando para depois, sentindo que se avolumava dia após dia a sua discussão.

"Já te disse, eu vou ... foi o que combinaste comigo no ano passado, foi o que combinamos no mês passado... foi o que combinamos há quinze dias... e o táxi já chegou.
Amo-te... beijo grande e espero-te lá... "

O táxi rolava a caminho do terminal onde apanharia a camioneta rumo ao Sul. Dentro de mim uma luta se travava: ... agora ou nunca mais!
Era a primeira vez que isto acontecia, partia não por minha vontade, mas porque me apercebi que era já tão natural dispôr de mim como de uma propriedade que tivesse comprado e tivesse direito até aos próprios pensamentos, onde não podiam entrar outros que não fossem relativos à sua pessoa.
Eu já não tinha espaço, cada vez mais limitada na minha liberdade, a liberdade que eu tanto presava e que pensava todos deviam ter, em relação aos seus sentimentos... à sua vida.
Sabia que isto seria decisivo na minha vida futura ... e tinha medo... muito medo mesmo... mas tinha de arriscar!

E arrisquei...!

domingo, 18 de Outubro de 2009

O outro lado da Rua ...

Peço um café e ao olhar para a montra onde as travessas de bolos tentam os gulosos, principalmente as mulheres, fico presa no reflexo que ela me devolve da pequena parcela da rua que ela torce e amolga como se tudo fosse de gelatina escorregadia e viscosa.
Não consigo desviar os olhos daquela montra onde as casas, as janelas, as árvores e as pessoas tal como "O Tempo" de Salvador Dali escorregam pelo balcão, por cima dos bolos, das garrafas dos sumos e de tudo o que a montra tem e que já não vejo.
Só vejo aquele mundo e penso que talvez ele seja assim mesmo, e eu o veja de maneira diferente supondo ser a correta.
Eu sei lá como é que os outros vêm o que eu vejo?
Será que todos vemos igual?


"...onde as travessas de bolos tentam os gulosos, principalmente as mulheres..."
Porque será que as carências afectivas das mulheres são compensadas com bolos, segundo dizem?

E as dos homens?... Eles não as terão também?

Não é com bolos não...

quarta-feira, 14 de Outubro de 2009

O dia antes de ontem...

Não é fácil fazer um exame daquilo que ficou para trás do dia de antes de ontem.

Os acontecimentos desfilam com uma nitidez que me assusta, por vezes parecendo-me que estou a viver, na hora, cada facto, ouvindo cada palavra que foi dita, não no passado, mas no presente.

O teu rosto desaparece numa bruma que me esconde cada traço teu, e por te ver como uma sombra chego a perguntar a mim mesma se foste real, um ser vivo, ou se foi o meu delírio, que mais não via do que o vazio à sua volta e tentou enche-lo com uma imagem que criou à medida dessa solidão.

Estou a olhar para dentro de mim, olhos fechados para ver melhor.

Não...não há a recordação dum traço teu e de tal maneira os esqueci, que só ao ver aquela caixa onde continua guardada a fita que acompanhava as flores, que me trouxeste num dia igual ao dia de antes de ontem, vejo que foste real, que exististe.

Penso quantas vezes terei passado por ti sem te ver?...

Quantas vezes terei olhado para ti sem te reconhecer?...

Quantas vezes teremos passado um pelo outro sem sabermos quem somos, como realmente nunca soubemos quem éramos...